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O maior mercado de barbatana de tubarão do mundo está em franco declínio
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O maior mercado de barbatana de tubarão do mundo está em franco declínio

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Segundo relatório Evidence of Declines e Shark Fin Demand da organização não-governamental WildAid, que se dedica ao combate do comércio ilegal de vida selvagem, o consumo de barbatana de tubarão, iguaria muito apreciada na China, consumida numa sopa, e símbolo de status social, caiu de 50% a 70% nos principais centros consumidores do país em pouco mais de dois anos.

O consumo alimentar de barbatanas de tubarão na China é responsável pelo abate anual de 73 milhões de tubarões, revela a ONG, prática que colocou sob risco de extinção 17% das espécies conhecidas.

Esta procura está na origem de declínios populacionais de até 98% de algumas espécies de tubarão nos últimos 15 anos, segundo a mesma organização. Estes declínios alarmantes motivaram o lançamento, por parte de múltiplas associações conservacionistas, de uma campanha internacional contra o consumo de barbatanas de tubarão e a prática de pesca que envolve a sua captura e o corte das barbatanas seguido do atirar dos corpos em alto mar, conhecida como finning (do inglês fin, que significa barbatana). O animal acaba por morrer.

Tubarões vitimas do finning

Tubarões vitimas do finning

Com a mudança de hábitos à mesa na China, diminui a pressão da pesca predatória sobre as populações de tubarões. É uma ação de sucesso ambiental em curso.

Tal façanha foi alcançada graças a campanhas de conscientização ambiental e ao envolvimento do governo chinês, cujo exemplo inspirou outros comensais a abandonar o hábito. Pequim anunciou em julho de 2012 que iria abolir do cardápio oficial a sopa de barbatana de tubarão como parte dos esforços dos departamentos financeiros para restringir os gastos com alimentos de luxo em recepções oficiais. Apesar da pouca motivação ambiental, o anúncio foi ovacionado por entidades ativistas de proteção à natureza em todo o mundo.

A WidlAid, por exemplo lançou várias campanhas de sensibilização nos Media que foram apadrinhadas por personalidades populares como o jogador de basquetebol Yao Ming, o actor Jackie Chan e o futebolista David Beckham.

Em resposta ao apelo global várias cidades, como Toronto, Missisauga e Oakvillee, no Canadá e o Estado norte-americano da Califórnia, proibiram a posse, consumo ou venda de sopa de barbatanas de tubarão declarando-se “zona livre de barbatanas de tubarão”.

Adicionalmente, em 2013, a prática do finning foi integralmente banida na Índia e na UE onde havia um vazio legal que permitia o finning em alguns casos excecionais.

Agora o relatório Evidence of Declines e Shark Fin Demand, revela que os cidadãos chineses também têm sido sensíveis ao apelo internacional, tendo 2/3 dos 85% que afirmaram ter deixado de consumir barbatanas de tubarão nos últimos três anos indicado que o fizeram devido às campanhas de sensibilização, enquanto 28,2% afirmaram ter sido influenciados pelas atitudes dos governos chinês e de Hong Kong.

“Quanto mais as pessoas se apercebem das consequências de consumir sopa de barbatanas de tubarão menos querem participar no comércio”, afirma Peter Knight, diretor executivo da WildAid, que acrescenta: “As proibições das barbatanas de tubarão em banquetes oficiais na China e Hong Kong também ajudaram a enviar a mensagem certa e este poderia ser um modelo para abordar o problema do [comércio ilegal de] marfim”.

O mesmo relatório revela ainda que as vendas de barbatanas de tubarão em Guangzhou, o centro do comércio de barbatanas de tubarão na China, segundo a WildAid, caíram 82% nos últimos dois anos, ao mesmo tempo que os preços deste produto desceram 47% a 57%.

Negócio de barbatanas de tubarão

Negócio de barbatanas de tubarão

Também algumas companhias aéreas se juntaram ao esforço de acabar com esta atrocidade. Singapura que é um dos maiores importadores e exportadores de barbatanas de tubarão vai deixar de poder contar com a Singapura Airlines para o transporte de barbatanas.
No passado, a empresa aérea já tinha proibido “o transporte de pássaros – com exceção de animais enviados de um jardim zoológico para outro – e de macacos para fins de investigação científica”. Agora, a proibição foi mais longe, e estende-se às barbatanas de tubarão.

Também as principais companhias filipinas juntaram-se à iniciativa. Em abril, a decisão foi tomada pela Philippine Airlines e posteriormente também a Cebu Pacific Air baniu o produto das suas rotas. Propriedade da família de origem chinesa Gokongwei – com negócios na indústria alimentar e setor imobiliário – a companhia de baixo custo declarou na altura que “a pesca de tubarão insustentável e o transporte de barbatana de tubarão não estavam alinhados com a posição [da empresa] para um desenvolvimento sustentável.”

No entanto ainda temos muito trabalho a fazer para alterar as consciências. O produto continua a ser muito apreciado no interior da China para os banquetes de casamento. Macau continua a ser uma porta de entrada deste produto, tendo importado em 2012 cerca de 120 mil quilos de barbatana, provenientes de países como Austrália, Indonésia, Espanha, China e Argentina.

Agora que se aproxima o fim de ano chinês é natural que ainda seja procurado para consumo, no entanto a quebra de procura tem levado ao fecho de muitos restaurantes em Hong Kong, especializados em sopa de tubarão.
De qualquer forma este é um exemplo de como é possível informar e mudar consciências.

Faça download do relatório integral aqui Download

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