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Abelhas contaminadas morrem aos milhões em todo o mundo
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Abelhas contaminadas morrem aos milhões em todo o mundo

Pesticida Extermina Abelhas e Contamina Cadeia Alimentar
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O inseticida usado nos GMO (Organismo Geneticamente Modificado) aprovado pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA, além de matar abelhas, contamina toda uma cadeia alimentar.

No início do ano passado, os documentos obtidos por um apicultor do Colorado expôs a Agência de Proteção Ambiental (EPA) pela aprovação ilegal de clotianidina, um pesticida altamente tóxico produzido pela Bayer CropScience, pois a agência reguladora tinha, de antemão, conhecimento da capacidade do produto em matar abelhas.

Agora, um novo estudo da Purdue University de Indiana, confirmou, mais uma vez, que o ingrediente ativo clotianidina não só elimina as abelhas, mas também que a sua toxicidade é sistémica, o que afeta uma cadeia alimentar inteira, o que poderia, um dia, conduzir à catastrófica destruição do fornecimento de alimento.

O estudo, publicado no jornal PLoS ONE online, investigou os vários métodos e as rotas pelas quais a classe de inseticidas conhecida como neonicotinóides, que inclui a clotianidina, está a dizimar as abelhas. Eles descobriram que tanto o clotianidina como o tiametoxam, outro componente de inseticidas neonicotinóides, persistem em “níveis extremamente elevados” nos restos de cultura da plantação tratada com estes inseticidas, o que contraria as alegações da indústria de serem produtos químicos biodegradáveis e não uma ameaça.

A equipa de pesquisadores descobriu também compostos de neonicotinóides no solo, inclusive em campos onde esses produtos químicos não tinham pulverizados, bem como em várias plantas e flores visitadas pelas abelhas. Baseado na sua análise, os pesquisadores envolvidos no estudo, concluíram que as abelhas ativamente transferem pólen contaminado das antigas culturas de milho tratadas com neonicotinóides, levando-os até às suas colmeias. As abelhas também transferem esses neonicotinóides para outras plantas e culturas não tratadas com esses produtos químicos, o que mostra, verdadeiramente, como estes produtos permanecem ativos no ambiente.

O princípio ativo clotianidina desintegra-se depois de três anos da primeira utilização. Se a cultura seguinte também for tratada com o mesmo inseticida, a clotianidina continuará impregnada no solo e em cada nova planta que nascer.

“Esta pesquisa deveria enterrar de vez a existência do pesticida clotianidina”, disse Laurel Hopwood, presidente da Equipa de Ação do Serra Club’s Genetic Engineering, que entrou com uma ação para que a EPA, finalmente, erradique tais produtos químicos, depois de anos de atraso. “Apesar das inúmeras tentativas por parte do setor de apicultura e das organizações de proteção em persuadir a EPA a proibir o clotianidina, a EPA falhou na proteção do fornecimento de alimentos ao povo americano”.

Sem abelhas, que agora estão morrendo a uma velocidade alarmante, devido sua exposição à clotianidina e a vários outros inseticidas e fungicidas, um terço ou mais da produção de alimentos será destruído, junto com uma centena, talvez mais, de variedades de frutas e vegetais que dependem das abelhas para polinização. É por isso que o Dr. Neil Carman, PhD, assessor científico do Sierra Club, convocou a EPA para imediatamente proibir o uso de clotianidina e outros inseticidas neonicotinóides, a fim de salvar a produção de alimentos de uma destruição irreversível.

No Canadá na província de Ontário, há uma proposta do governo para proibir a utilização dos neonicotinoides. A medida exige que os produtores tenham uma licença para aplicar o produto. No Canadá morreram cerca de 37 Milhões de abelhas após o plantio de milho transgénico.

Já no Brasil o desaparecimento das abelhas é considerado a causa deste país ter passado do 5º para o 10º lugar entre os maiores países exportadores de mel. Os apicultores queixam-se de que as abelhas morrem depois de irem às culturas de cana do açúcar e laranjas (flor da laranjeira), devido à ingestão de agrotóxicos utilizados nessas culturas.

Na Europa, se o aumento da taxa de mortalidade das abelhas na UE não for tido em conta, este terá um “impacto negativo profundo na agricultura, na produção e segurança alimentares”, alertou um relatório aprovado pelo Parlamento Europeu.

Estima-se que na Europa
84% das espécies vegetais e 76% da produção alimentar dependem da polinização das abelhas,

Estima-se que 84% das espécies vegetais e 76% da produção alimentar na Europa dependem da polinização das abelhas, cujo valor económico é muito superior ao valor do mel produzido, ascendendo aos 15 mil milhões de euros anuais na UE.

Neste contexto a EU baniu os pesticidas mortais para as abelhas (que pertencem à classe dos neonicotinóides). Os esforços para proteção das abelhas deram agora resultados depois de a União Europeia (UE) ter conseguido proibir três pesticidas nocivos que põem em risco a continuidade desta espécie de inseto. A proposta foi votada e contou, espante-se, apenas com o voto favorável de 15 dos 27 estados-membros da comissão.

A medida será aplicada nos países europeus ao longo dos próximos dois anos, sendo que depois desse período será necessário cumprir uma revisão da lei. Assim, o uso dos pesticidas passou a ser considerado ilegal por constituir uma ameaça à sobrevivência da espécie em causa.

Para além dos estados-membros que votaram contra esta medida de proteção ambiental, entre os quais Portugal está incluído, os Estados Unidos da América contestam a decisão e afirmam que o declínio advém de uma outra combinação de fatores. Ainda assim, a UE garante que existem evidências científicas que estes produtos causam a morte das abelhas.

Europa proibe os pesticidas
A CE proibiu os pesticidas clothianidin, imidacloprid e thiametoxam mas os EUA contestam. Bayer e Syngenta tentam aprovar medidas contra.

Em comunicado na sua página oficial, a Comissão Europeia defende que os pesticidas clothianidin, imidacloprid e thiametoxam são um “risco alto e agudo” para as abelhas que se encontram “expostas ao pó existente em plantações de milho, cereais e girassóis”.

O sector da apicultura é também uma fonte de rendimentos primários ou suplementares para mais de 600 mil cidadãos europeus.

As empresas que vendem estes químicos, como a Bayer e Syngenta estão a tentar através de estudos e lobbying tentar que não sejam aprovadas medidas contra a utilização destes químicos, para poderem continuar a vender os seus produtos. Paralelamente querem encontrar químicos para “tratar” as abelhas.

A obsessão pelo lucro destas empresas mostra como estão disponíveis para fazer tudo o que estiver ao seu alcance para venderem, sem olharem a consequências.

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