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Crescimento demográfico e aumento da procura de alimentos
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Crescimento demográfico e aumento da procura de alimentos

Um desafio para todos nós
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Neste preciso momento estima-se que cerca de 1 bilião de pessoas sofram de fome crónica. As explorações agrícolas de todo o mundo seriam suficientes para os alimentar, se a distribuição não fosse desadequada. Mas mesmo que conseguíssemos fazer chegar os alimentos a quem deles necessita, grande parte das pessoas não teria dinheiro para os comprar.

 

CRESCIMENTO DEMOGRÁFICO e GLOBALIZAÇÃO DA PROSPERIDADE

Por volta de 2050 estima-se que a população mundial aumente entre 2 a 3 biliões o que segundo os especialistas irá duplicar a procura de alimentos. Esta situação irá colocar ainda mais pressão sobre a agricultura que é já hoje quem mais contribui para o aquecimento global, emitindo mais gases com efeito estufa do que todos os veículos motorizados de todo o mundo.

A par do crescimento demográfico o aumento do poder económico, principalmente em países como a China e a Índia são também fatores de pressão sobre a agricultura.

O impacto no planeta decorrente destes dois fatores merece a nossa análise e espero que possa provocar algumas mudanças positivas na forma de ver e viver o mundo após lerem este artigo.

 

Consequências do aumento demográfico e do poder económico

Aumento da procura de alimentos

Sobretudo na India e na China, o aumento da procura de carne, ovos e lacticínios, alimentos mais procurados em países que tradicionalmente sempre consumiram menos carne do que os ocidentais, vão continuar a pressionar a intensificação do cultivo do milho e da soja, a fim de alimentar mais vacas, porcos e galinhas para o qual é necessário mais terra arável e mais água.

 

Aumento da produção

A agricultura é já o terceiro maior consumidor dos recursos hídricos e é também poluidora, pois as escorrências de adubos e estrumes alteram lagos, rios e ecossistemas costeiros em todo o mundo e afetam as reservas aquíferas.

A agricultura é já a maior fonte isolada de emissão de gases com efeito estufa, sendo responsável por cerca de 35% do dióxido de carbono, metano e óxido nitroso libertado na atmosfera.

 

Aumento da desflorestação

A agropecuária utiliza já mais de 38% de todo o solo livre de gelo. O segundo maior impacte humano é a erosão provocada pela agricultura, pela construção, pelo abate madeireiro e pela extração mineira. Todos estes fatores contribuem largamente para a perda de biodiversidade, destruindo habitats e vida selvagem, ao destruir matos e floresta para campos agrícolas.

As terras potencialmente aráveis situam-se fundamentalmente onde existem florestas tropicais e savanas que são vitais para a estabilidade do planeta.

 

Aumento da produção agropecuária

O aumento da produção de cereais poderá não servir para matar a fome às pessoas, pelo menos diretamente, já que apenas 60% das colheitas mundiais são para alimentação humana, sendo que nesta percentagem incluem-se as leguminosas, cerais para extração de óleo para alimentação, vegetais e frutas. Cerca de 35% das colheitas são para alimentação animal e os restantes 5% para a produção de biocombustíveis.

A fixação das pessoas pelo consumo de carne é um problema para o planeta e naturalmente para todos nós, inclusive para os animais, que são submetidos a condições cada vez mais deploráveis, com vista ao aumento da produção, em menos tempo possível.

Vejamos qual o esforço para obter 1 kg de carne limpa de osso:

1kg de carne de vaca são necessários cerca de 15 Kg de cereal e 30 kg de forragem.

1 Kg de carneiro são necessários 21 kg de cereais e 30 kg de forragem.

1 kg de carne de porco são necessários 5,9 kg de cereais.

1 kg de carne de peru são necessários 3,8 kg de cereais.

1 kg de carne de frango são necessários 2,3 kg de cereais.

1 kg de ovos (cerca de 20 ovos) são necessários cerca de 11 kg.

O consumo de carne mundial aumentou de 47 milhões de toneladas em 1950 para 260 milhões de toneladas em 2005.

O aumento da exploração agropecuária também se reflete negativamente nos consumos de água. A água, um bem vital, escasseia ou é inexistente em muitas zonas do planeta, enquanto noutras é consumida e utilizada de forma desmesurada.

Nós utilizamos cerca de 4.000 km cúbicos de água por ano, grande parte retirada de rios e aquíferos. Os sistemas de rega são responsáveis por cerca de 70% dessa água.

Inevitavelmente também o consumo de água aumentará. Vejamos também qual o esforço necessário para 1 kg de carne:

1 kg de carne de vaca são necessários mais de 16.000 litros de água.

1 Kg de carne de carneiro são necessários 6 .000 litros de água.

1 Kg de carne de porco são necessários 5.000 litros de água.

1 Kg de carne de galinha são necessários 4.000 litros de água.

1kg de proteína animal requer cerca de 100 vezes mais água do que 1 kg de proteína de cereal.

Para produzir a grande maioria dos vegetais e frutas são necessários 76 lts a 380 litros de água.

A água não está somente a desaparecer, mas também a ser contaminada. Fertilizantes, herbicidas e pesticidas estão a ser espalhados a um ritmo alucinante e podemos encontra-los em praticamente todos os ecossistemas.

 

CONSEQUÊNCIAS

Aumento da libertação de dióxido de carbono.

Aumento do metano libertado pelas explorações pecuárias e de orizicultura.

Aumento do óxido de azoto proveniente dos campos adubados e do dióxido de carbono resultante do corte de florestas tropicais, para obterem terrenos para a agricultura e criação de gado.

Aumento do consumo de água.

Aumento da poluição de lagos, rios e ecossistemas costeiros de todo o mundo.

Aumento da perda de Biodiversidade – destruição de habitats com a consequente extinção de espécies.

 

QUE MEDIDAS TOMAR?

Um conjunto de especialistas coordenados por Jonathan A. Foley, Diretor do Institute on the Environment da Universidade de Minnesota estabeleceu em 5 passos como responder ao desafio de aumentar mais de 100% de comida disponível para consumo humano com significativamente menos gases de emissões estufa, menos perdas de biodiversidade, menos uso de água e menos poluição.

 

PRIMEIRA MEDIDACongelar a pegada da agricultura

Diminuir ou mesmo parar a expansão da agricultura, particularmente nas florestas tropicais e savanas.

Sempre que precisamos de produzir mais alimentos, abatemos florestas e a aramos pradarias para criar mais explorações agrícolas. Já arrasámos uma área sensivelmente do tamanho da América do Sul para plantar culturas agrícolas. Para a criação de gado, apropriámo-nos de uma área ainda maior, do tamanho aproximado de África. A pegada da agricultura levou à perda de ecossistemas em todo o mundo, incluindo as pradarias da América do Norte e a mata atlântica do Brasil, e as florestas tropicais continuam a ser destruídas a ritmos alarmantes. No entanto, já não podemos dar-nos ao luxo de aumentar a produção de géneros alimentares à custa da expansão da área agrícola. A substituição da floresta tropical por terreno agrícola é um dos actos mais destrutivos, pelo que a prevenção da desflorestação deve constituir uma prioridade.

 

SEGUNDA MEDIDA Aumentar as colheitas nas explorações agrícolas já existentes

A revolução verde aumentou o rendimento agrícola na Ásia e na América Latina, recorrendo a melhores variedades e a níveis superiores de adubo, irrigação e maquinaria, mas com custos ambientais significativos. Hoje o mundo pode centrar a sua atenção no aumento dos rendimentos em terrenos agrícolas menos produtivos (especialmente em África, na América Latina e na Europa de Leste), onde existe um “desfasamento de rendimentos” entre os níveis actuais de produção e aqueles que poderiam ser alcançados através de melhores práticas agrícolas. Recorrendo a sistemas de cultivo de tecnologia avançada e precisa, bem como a métodos copiados da agricultura biológica, conseguiríamos multiplicar os rendimentos nesses lugares.

 

TERCEIRA MEDIDA Utilizar os recursos com mais eficiência

Em média é necessário 1 litro de água para o cultivo de uma caloria de alimento, embora em muito sítios estes valores sejam largamente ultrapassados. A agricultura comercial deu passos de gigante e descobriu maneiras inovadoras de aplicar os adubos e os pesticidas, ao mesmo tempo que identificava métodos inovadores nesse campo, através da utilização de tractores computorizados com sensores avançados e GPS. Muitos agricultores aplicam misturas de adubo quimicamente concebidas à medida das condições exactas do seu solo, o que minimiza o escoamento de produtos químicos para os cursos de água na vizinhança. A agricultura biológica pode também reduzir de maneira significativa o consumo de água e de produtos químicos, ao incorporar culturas de cobertura, palhas e substâncias compostas para melhorar a qualidade do solo, conservar a água e acumular nutrientes. Muitos agricultores tornaram igualmente mais eficiente o consumo de água, substituindo sistemas de irrigação ineficazes, como o de espalhar pelo ar, por métodos mais precisos, como a irrigação gota-a-gota subterrânea, onde a água é aplicada diretamente na base da planta. Os progressos alcançados pela agricultura convencional e pela agricultura biológica proporcionaram maior rendibilidade da água e dos nutrientes.

 

QUARTA MEDIDA Mudar as dietas


Seria muito mais fácil alimentar nove mil milhões de pessoas em 2050 se uma quantidade maior dos produtos cultivados tivesse como destino final o consumo humano. Hoje em dia, apenas 55% das calorias provenientes das colheitas obtidas no mundo alimentam directamente os seres humanos: o resto é para os animais de criação (cerca de 36%) e transformado em biocombustíveis e produtos industriais (aproximadamente 9%). Embora consumamos carne, lacticínios e ovos obtidos de animais criados em instalações fechadas, apenas uma fracção das calorias contidas nos alimentos dados aos animais de criação é incorporada na carne e leite por nós consumidos. Por cada cem calorias de cereal dado aos animais, obtemos apenas cerca de quarenta novas calorias de leite, 22 calorias de ovos, 12 de carne de galinha, dez de carne de porco e três de carne de vaca. A procura de métodos mais eficientes para criar carne e a promoção de regimes alimentares menos dependentes da carne (bastando mudar da carne de vacas alimentadas a cereal para carnes como a galinha ou o porco, ou para carne de vacas alimentadas em pastagem) poderia disponibilizar volumes suplementares significativos de alimentos em todo o mundo. É pouco provável que os habitantes dos países em desenvolvimento venham a ingerir menos carne no futuro. Devido à sua prosperidade recém-alcançada, podemos concentrar-nos em primeiro lugar nos países onde já existem regimes alimentares ricos em carne. Uma solução poderia passar por impedir a utilização de culturas alimentares para a produção de biocombustíveis, pois aumentaria a disponibilidade de alimentos. Outra solução passaria pela redução substancial do consumo de carne.

 

QUINTA MEDIDA Reduzir o desperdício

Calcula-se que 25% das calorias dos alimentos do mundo e 50% do total de alimentos se percam ou sejam desperdiçados antes de serem consumidos. Nos países ricos, a maior parte desse desperdício ocorre nas residências, nos restaurantes ou nos supermercados. Nos países pobres, os alimentos perdem-se no circuito entre o produtor e o mercado, devido à escassa fiabilidade da armazenagem e transporte. No mundo desenvolvido, os consumidores conseguiriam reduzir o desperdício tomando medidas óbvias como servir-se de quantidades mais pequenas, comer restos e incentivar as cantinas, os restaurantes e os supermercados a desenvolverem medidas contra o desperdício. Entre todas as opções de aumentar a disponibilidade de alimentos, o controlo do desperdício seria uma das mais eficazes.

 

Em conjunto, estas medidas poderiam duplicar a disponibilidade de alimentos e reduzir as repercussões ambientais da agricultura à escala planetária. Mas não será fácil. Sabemos o que precisamos de fazer, mas falta descobrir a maneira de pôr isso em prática. Para dar solução aos desafios alimentares, teremos de nos tornar mais conscientes dos alimentos que pomos no prato. Precisamos de associar aquilo que comemos aos agricultores responsáveis pelo seu cultivo, além de perceber as ligações entre os alimentos que ingerimos e a terra, bacias hidrográficas e condições climáticas que nos sustentam. Quando fazemos compras nos corredores do supermercado, fazemos escolhas que decidirão o futuro.

 

Fontes:

“Can We Feed the World & Sustain the Planet?” By Jonathan A. Foley, Scientific American

Institute on the Environment, University of Minnesota

National Geographic

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