Informação para despertar consciências.

O Dedo e a Ferida
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O Dedo e a Ferida

- Pistas para uma vida com mais sentido -
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Enquanto me debatia sobre o que escrever, surgiram tantas possibilidades que optei abordar algumas das mais pertinentes, assim como indicar pistas/sugestões, baseadas na minha experiência, para o leitor abraçar uma atitude pró-activa e concreta que permita um caminho rumo a uma existência com sentido maior e com um estado de consciência que se traduza no que se costuma designar por “estado de felicidade”, com as oscilações próprias da condição humana. A formatação de que a mente é alvo a quando do processo de educação e sociabilização, leva o ser humano a facilmente se render a algumas das seguintes armadilhas: O Alheamento em relação ao próximo/A “onda Zen”, seus mestres, gurus e profetas/O medo e a culpa.

IndiferênçaAlheamento em relação ao próximo » Com excepções inevitáveis, que felizmente existem ao longo de todos os tópicos do texto, a sociedade dita moderna tem vindo a mergulhar num estado de perfeita miopia consciêncial. Para tal, contribuem vários factores como a nuvem de medo que tem vindo a ser promovida por instituições mais ou menos organizadas e que exercem a sua influência, principalmente, através de certos órgãos de comunicação social, de forma mais ou menos subtil. Efectivamente, o que vende é o medo e tudo o que serve de fuga ao “Eu”, ao verdadeiro auto conhecimento, ou seja, tudo o que permita alhear o ser humano do contacto consigo próprio. Não refiro apenas as noticias sensacionalistas mas, também, alguma informação que vai chegando ao público sobre a forma de arte divinatória e/ou facilitista que vai transformando o ser humano numa espécie de “zombie” (des)orientado desprovido de intuição e bússola interior.

Desvirtuados, o homem e a mulher começam de forma muitas vezes inconsciente, a passar o mesmo registo às suas crianças, orientando-as rumo ao medo e individualismo patológico. Urge encontrar um ponto de equilíbrio entre o individualismo saudável, entre o “eu sou único e irrepetível”, o viver em comunidade, o partilhar de forma muito concreta e o padrão anteriormente referido do “vale tudo”.

Como quase todos sabem mas só alguns praticam, o que é oferecido de coração aberto retorna, mais cedo ou mais tarde, mesmo que de forma diferente da qual se espera. Sair do ciclo, dos padrões em que o individuo se permite embrulhar, requer coragem, paciência, persistência e desapego. A alternativa será caminhar como “pescadinha de rabo na boca”, repetindo e repetindo. Só se alterarão as caras e os locais; o mesmo companheiro/a patrão, amigo/a, situação, irá continuar a surgir até a raiz ser alterada, a raiz de cada um. Fácil? Não. Impossível? Jamais. Comece por dentro, mas irradie também para o exterior. É muitas vezes no próximo e do próximo que surgem as respostas para as grandes questões que minam a vida e já agora, que também a tornam mais colorida. Já viu alguém plantar maçãs e colher ananázes? Eu não.

Pistas/Sugestões:

» Comece pelo simples. Se não cede, por exemplo, o lugar num transporte público ou numa qualquer fila a alguém em necessidade, esqueça as incursões de voluntariado na Índia, África ou no lar de idosos. É o dia a dia que faz a diferença, a constância, não apenas alguns momentos salpicados no tempo.

» Deixe o que os outros fazem ou não fazem. Já dizia Gandhi: ‘Seja a mudança que quer ver no mundo’. Uma pessoa pode mesmo fazer a diferença. Um sorriso, uma palavra ou um simples olhar salvam vidas e conferem dignidade.

» Não sinta nojo nem ignore quem lhe pede uma esmola. Pode não dar, mas não finja que está perante uma sombra. Ás vezes a vida dá mesmo muitas voltas. Tirando a roupa, os cremes e a conta bancária (e a importancia que muitas vezes é dada a esses pormenores) o que somos que essas pessoas não são?

» Tratar os animais e todos os seres vivos com respeito e dignidade é sentir esses sentimentos também por si própria/o.

» A verdadeira nobreza, reside também em dar aquilo que gosta, não apenas o que pensa que não lhe faz falta. Ajudar quando menos tem vontade; dar quando tem pouco. Já reparou que, muitas vezes, quem mais dá é quem menos tem? Porque será?

» A religião foi principalmente sistematizada pela mente. Se colocada em prática com compaixão, bondade e amor incondicional tornam-se expressões maiores da alma e do divino.

Una tudo, coloque em prática. Palavras leva-as o vento. É só um pormenor, mas Deus, o grande Espírito, o céu e a terra, o Universo, a força que tudo anima mora também em si, faz também parte de si. Não necessita da pagar para que isso aconteça. Está praticamente tudo em si, o resto vem por consequência, por ressonância e responde à inevitável lei ‘causa-efeito’.

» Comece pelos de casa. Normalmente, duma forma ou de outra, é onde mora o maior desafio. Com os “de fora”, existe a tendência para assumir uma postura mais tolerante, compassiva, pró-activa e até dissimulada. Com a familia, de forma mais natural, reflecte-se o que realmente habita dentro de cada um, a frio, sem máscaras. Lembre-se…de dentro para fora, seguindo a sequência: Eu – família – exterior.

Falsos mestresA “onda zen”, seus mestres e profetas » Vive-se a era da transformação interior. Com esse processo surge de tudo um pouco. Algo que paralelamente também vai surgindo, é a necessidade de mudar. Mudar de estilo de vida, de parceiro, de emprego, de cidade, de país, mudar! Recuperam-se novos velhos meios de “reciclagem interior” de forma a atingir maior esclarecimento, alguma paz interior, mais sentido e propósito que confiram à existência mais cor, mais tempero, mais alegria.

Nesta época, é importante despertar o seu Mestre interior que jaz algures adormecido, agarrar as rédeas do destino e assumir conscientemente as decisões que vai tomando. Sair do “piloto automático” da pré-formatação e falsas crenças, requer coragem, paciência e muita vontade de ser feliz. Em sentido contrário surgem, um pouco por todo o lado, aqueles que se aproveitam da desorientação e sofrimento alheio e se vão auto intitulando “mestres” ,“gurus” e até de forma mais dissimulada de “profetas”. Uma das consequências será o amputar, de forma mais ou menos subtil, a capacidade de se elevar acima de si próprio, de se transcender e tocar de forma clara e objectiva o poder decisório e evolutivo. Nas sociedades e comunidades que praticam a verdadeira jornada interior, corpo-mente-espírito, de forma séria e responsável, Mestre é um estado de Ser que alguém vai atingindo, na maior parte das vezes, em idade avançada, fruto de um longo caminho percorrido sob o tecto da simplicidade do verdadeiro Amor incondicional, do desapego.

Com a inevitável e saudável necessidade em encontrar pontos de apoio, de referência, grupos com os quais se identifique, como distinguir o trigo do joio? Seguem algumas pistas que poderão ser úteis para esse encontro porque, também é verdade, que ninguém é uma ilha e heróis só mesmo nos filmes…

Pistas/Sugestões:

» Na sua busca por um Instrutor , Professor ou grupo, opte por alguém que não se julgue “dono da verdade”. Não é um bom prenúncio (a menos que esteja numa empresa), quem refira: “Tem de ser assim”; “Só é possível desta forma”; “Se não for assim, não é possível”. Cada um possui o seu próprio “sistema operativo” e a verdade de um jamais deverá ser imposta de forma intransigente e radical a outrém. Uma opinião, um exemplo, uma experiência de vida é algo saudável e recomenda-se. Tudo que tenha por base o dogmatismo e sectarismo é território do ego inflamado e de forças contra evolutivas que, normalmente, não pretendem que o ser humano avance de forma livre, desperta e, assim, contribua para a sua elevação, da sociedade e do próprio planeta que de forma tão generosa o acolhe.

»Use alguma atenção a quem se intitule, verbalmente ou por escrito, de “mestre”, “guru” ou algo do género. Poderá eventualmente estar na presença de alguém que aprecia seguidores e que esquece o verdadeiro propósito da passagem de conhecimento: “dar asas para voar”. Já lá vai o tempo do pastor e das ovelhas. Opte por não colocar o seu poder pessoal nas mãos de terceiros.

» O valor monetário não deverá ser utilizado como barómetro qualitativo de uma formação ou consulta/terapia. Pratique o ouvir e sentir com o coração. Escolha o que faz sentido, sem dislumbramentos, mesmo que não perceba muito bem porquê. Se é dispendioso, se é acessível, se está na moda…nenhum desses aspectos é relevante. A mente está infestada de medos, traumas e feridas abertas. Sinta a voz da alma, mesmo que aparentemente ilógica, irracional e desprovida de bom senso. Ser “caro” nunca foi garantia de qualidade. Ser “barato” jamais será garantia de altruísmo e de genuína bondade. Como tudo na vida, o cerne da questão reside na intenção que dá origem ao valor estipulado.

»Não são necessários inúmeros anos de formação e inúmeros diplomas para passar o genuíno conhecimento. Viver com atenção e intenção. Se o fizer, poderá aprender e recordar o mais divino que em si mora, também, através da natureza, dos animais, das crianças, do lenhador, do operário, do agricultor, do carteiro e da funcionária da limpeza. A verdadeira escola é o dia a dia e é aí que é demonstrada a verdadeira “prova dos nove”, do que somos e de quem somos. Esse é o real campo de acção. Pensar que a principal forma de assimilar e integrar “informação” é frequentar eventos ou terapias promovidas por terceiros, é meio caminho andado para um processo de fuga de si própria/o e, realço, o contribuir para o alimentar do processo de dependência em relação a outrem.

Frequente o que tem a frequentar, no entanto, tendo sempre presente que a verdadeira sabedoria, a chama genuína reside em si, apenas em si. Os outros são apenas espelhos, pontos gatilho, trampolins para aquilo que ninguém pode fazer por si, viver.

culpa-medoO medo e a culpa » O medo e a culpa são dois dos actuais travões à felicidade, bem estar e realização humana. Cultivada em cada um e através de cada um estes blocos de cimento vão empedernindo o coração retirando à vida o seu propósito. O medo e a culpa alimentam-se mutuamente e, como uma bola de neve, vão crescendo. Com esse crescimento cresce, igualmente, a incapacidade de tomar decisões assertivas, dificuldade em gostar de si própria/o, logo, do próximo, surgindo uma inevitável falta de capacidade de dar e receber afecto, carinho, atenção. O medo é o oposto do Amor, logo, quando o Amor (traduzido em simples actos) não é colocado em prática, surge o terreno propicio para o medo proliferar.

O mesmo acontece em relação à luz e à escuridão. O que é a escuridão senão a ausência de luz? Já a culpa provém, em parte, de não conseguir ser ou parecer perfeito (perante si e o próximo), o que é pura presunção porque, afinal de contas, o que é isso de ser perfeito? Por outro lado, o individuo sente-se projectado para este tipo de sentimento pela preocupação que instala na mente sobre “o que os outros pensam sobre mim”. Responsabilidade sim. Culpa, não. É importante não se rotular, nem se deixar rotular. A grande verdade é que as pessoas não são os seus actos. A prova da intrínseca natureza de Amor e bondade que habita em cada um são, por exemplo, inúmeras situações de pessoas que cometendo actos tresloucados, se redimiram em consciência em estabelecimentos prisionais, tendo mesmo alguns escrito livros que se tornaram best sellers e fonte de inspiração para milhões.

Ao viver sobre o manto negro da culpa, o individuo diminui-se e sem auto-estima passa a ser o tapete onde alguns ousam pisar (incluindo ele próprio). No entanto, como a atenção, logo a energia, deve ser colocada ao serviço da solução e não do “problema”, avanço para algumas pistas úteis.

Pistas/Sugestões:

» Enfrente o medo. Olhe-o de frente, “olhos nos olhos”. Seja uma situação ou uma pessoa, permita-se sentir e deixe esse sentimento vibrar no seu máximo de intensidade. Após, por exemplo, poderá verbalizar palavras como “Eu Sou Amor”; “Eu Sou Paz”; “Eu Sou Luz”; tudo aquilo que faça sentido para si. Visualizar uma reconciliação com alguém ou uma situação já resolvida, como se estivesse a ver um filme. Não é imaginação mas sim intenção em movimento. Palavra é energia. Pensamento é energia. Se tudo no Universo é energia, que tipo de energia tem cultivado?

» Abrace práticas que ajudem ao auto conhecimento e que mexam com a química do corpo humano, fortalecendo a trindade corpo-mente-espírito, como o exercício físico duma forma geral, artes marciais, Reiki, Yoga, meditação, Taichi/Chikung ou outra prática energética.

Quebre as barreiras que pensa ter, aventure-se e faça algo ousado como uma pequena ou grande viagem, sair com amigos, dançar, falar com alguém importante para si, enfim, tudo que lhe permita sair da espiral rotineira que vai mantendo o seu interior em cativeiro. Alterar variáveis e padrões é mudar a vida. Mesmo não sendo fácil, mesmo sentindo receio…avance! Não existem certezas absolutas e, por vezes, só há uma forma de agir: avançar e lidar com as consequências após. A preparação constrói-se ao caminhar e raramente o ser humano se encontra preparado a 100% para algo. O Universo está atento aos audazes e, mais tarde ou mais cedo, irá colher o que for semeando. É apenas uma questão de tempo.

» Não julgue o próximo. Coloque a atenção em si. O julgamento é um dos combustíveis do medo e do ódio. Viva e deixe viver. A seu tempo a vida responde na mesma moeda, não carregue em si o papel de carrasco ou juiz. Diga o que tem a dizer se sente que deve falar, mas use precaução na intenção que coloca nas suas palavras…ela faz toda a diferença.

» Não se vitimize. Assuma o seu poder pessoal. Assuma de uma vez por todas a responsabilidade sobre a sua vida e os acontecimentos que para ela atrai. O momento presente não é mais do que a consequência das decisões que vai tomando, ou não. Agarre a oportunidade, o momento, agarre o presente para que também o futuro possa brilhar.

» Como abordei anteriormente, falar com alguém pode ser libertador. Avalie se o seu “timming” interior apela a essa atitude e se sente que o outro lado se encontra receptivo. Se não, poderá meditar e efectuar visualizações da situação a resolver-se e/ou a estar em harmonia com a pessoa em questão. A intenção deverá ser sempre de pura entrega, sem expectativas e tentativa de manipulação de resultados, com todo o Amor deixando o Universo, com a sua infinita sabedoria, agir como e até onde for possível.

A energia, o Amor, não conhece tempo nem espaço e o que incutir na mente e no coração gerará, com certeza, ondas de impacto.

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