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Terapia Regressiva
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Terapia Regressiva

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Quando se fala em Terapia Regressiva há duas reacções: desperta o interesse e curiosidade em algumas pessoas, noutras a descrença e enfado. De facto este é um tema que não deixa ninguém indiferente.

A Regressão de Memória é uma técnica terapêutica transpessoal, que busca a reconciliação com a causa que dispara o gatilho do conflito ou padrão. Trata-se de ressignificar os “eus” existentes no inconsciente. Nele são arquivadas uma série de situações repetitivas, originadas em momentos passados da(s) nossa(s) vida(s), muitas vezes levando-nos a repetir comportamentos e situações de forma sistemática. Algumas das pessoas que procuram a terapia regressiva, talvez a maioria, chegam com o auto-diagnóstico pronto de que precisam de fazer regressão, pois acreditam que a regressão é capaz de resolver os seus problemas. Muitas delas chegam a afirmar que sabem que a causa está em experiências vividas antes do nascimento e que, ao fazer regressão, entenderão por que agem de tal maneira e sofrem por determinado motivo.

A maioria das vezes é como se estivessem a tentar justificar o problema, sem querer aceitar que a causa pode estar no seu estilo de vida actual, na forma como se relacionam com a existência, moldadas em paradigmas rígidos, que as levam a uma repetição incessante de um padrão em torno de um tema de vida, reforçando o auto-engano, acreditando na sua verdade cristalizada. Quando é assim, há uma dificuldade acrescida em abrirem-se à possibilidade de mudança, uma vez que acreditam que a sua forma de ser está certa. Sendo assim, é mais fácil acreditar que as dificuldades na sua vida, seja nas relações sociais, afectivas, profissionais, financeiras, de saúde etc., estão relacionadas com vivências passadas e não com as escolhas que foram fazendo ao longo da vida e que mantêm no momento presente. Sem dúvida alguma, somos o resultado do ontem (passado). Logo, ressignificar o atual modus vivendis é tomar consciência das influências do passado na vida presente, uma vez que somos a somatória de todas as experiências passadas, arquivadas também no inconsciente. Sendo assim, tomar consciência da actuação da psicodinâmica das memórias passadas no dia-a-dia resulta na quebra de paradigmas e reavaliação de valores.

Se acredita na pré-existência do espírito e que este reencarna periodicamente, tendo experiências humanas, a técnica funciona perfeitamente. Daí confundir-se sistematicamente Terapia Regressiva com Terapia de Vidas Passadas, atraindo apenas pessoas que acreditam nessa informação, como se a técnica fosse específica para trabalhar conteúdos de vivências passadas. Não é. As experiências tidas noutra vida ou o conteúdo simbólico inconsciente – individual ou colectivo – irá libertar-se e aparecer caso seja relevante para a situação em tratamento, mas nem sempre essa relevância existe.
Quando o indivíduo não acredita em vidas passadas, e devido a essa confusão sistemática entre Terapia Regressiva e Vidas Passadas, ele deixa de beneficiar desta técnica. Portanto, não procura o Profissional, pois, como não acredita, tem o pensamento negativo de que “não vai resultar”.
Quando não acredita nem desacredita, ou seja, quando não tem qualquer expectativa ou pré-diagnóstico autoformado, é quando a técnica funciona maravilhosamente bem, pois não está regida pela crença, e sim, pela necessidade de cura e de se libertar do sofrimento, resolvendo definitivamente o conflito ou padrão. Esse é o foco de quem não limita a técnica a nenhuma crença, seja ela a vidas passadas, crenças religiosas etc., mas sim, a encara como uma técnica TERAPEUTICA.

Fazer umaClock universe regressão de memória é diferente de fazer  Terapia Regressiva. Uma regressão, quando se consegue o estado alterado de consciência, acede apenas à lembrança do facto. Mas o que acontece quando se aprofunda um pouco mais da carga emocional? O que fazer com o conteúdo que surge? Se não for trabalhado, nada resolve, pois a pessoa passa a ter consciência da causa mas esse conhecimento não é garantia que no presente sejam feitas as alterações comportamentais necessárias. E então, o que fazer com a descoberta? Aí é que entra o processo terapêutico, ou seja, a Terapia Regressiva. Através de várias técnicas – respiratórias, energéticas, psicodinâmicas, integrativas, etc – trabalha-se cada carga emocional visando a sua experiência total e, consequentemente a sua libertação.

A Terapia Regressiva acede à causa gravada nos registos do inconsciente e trabalha terapeuticamente a carga emocional negativa ancorada em alguma parte do corpo, como por exemplo no estômago, na cabeça ou no peito. Depois deve-se dissolvê-la de forma catártica. Aí sim, é o processo técnico e psicológico de trabalhar com os conteúdos do inconsciente, resultando numa ressignificação do conteúdo, estabelecendo um novo patamar, actuando na psicodinâmica do inconsciente, de forma consciente, o que se chama de cura.
A informação que surge tem muitas vezes uma carga simbólica e em pessoas menos visuais não se processa por imagens mas sim no corpo físico, através de sensações que trazem a carga emocional e o símbolo. Quando um paciente que não é visual está firmemente apegado à crença de que uma regressão o vai levar a um “filme”, bloqueia todo o processo não permitindo e não aceitando e não reconhecendo a informação que o seu inconsciente liberta.

A maioria das pessoas conhece a Terapia Regressiva através dos livros do Psiquiatra americano Brian Weiss. O que ele relata nos seus livros é por vezes erradamente interpretado como uma história de voltar no tempo e viver dramas e cenas dignas de Hollywood, como se fossem personagens principais de um filme, satisfazendo os sonhos e desejos de curiosos. E não é esse o principal objectivo. A Terapia Regressiva tem sim a função de tomada de consciência, em que se desloca a origem do conflito ou padrão que está no inconsciente para o consciente e aí, através de várias técnicas, dissolve-se a carga emocional negativa que está associada à vivência na origem do padrão, promovendo a CURA, o que torna a técnica profundamente terapêutica.

O que é necessário entender é que enquanto a TR (Terapia Regressiva) for vista como TVP (Terapia Vidas Passadas) e por norma de forma fantasiosa e folclórica, a técnica regressiva fica cada vez mais distante da ciência e mais próxima de crenças espirituais, não cumprindo a sua função técnica e científica.

Enquanto não for esclarecido o verdadeiro objectivo da Terapia Regressiva, iremos atrair sempre pessoas que acreditam que o problema que têm tem origem numa vida passada. E é aí que entra também o profissionalismo e a sensibilidade de saber reconhecer as crenças e as intenções de quem nos procura, pois o não reconhecer e fazer a regressão sem uma conversa prévia que identifique essas crenças mas também possíveis questões do foro psicológico, como no caso de pessoas que tenham transtornos de personalidade não diagnosticados ou latentes, pode levar a resultados desastrosos (essas pessoas, se não fizerem primeiro uma psicoterapia breve, vivem muitas vezes fantasias, que reafirmarão ainda mais as suas crenças, envolvendo o conflito ou padrão num manto de auto-engano. Com isso, podem acreditar que o seu script de vida está certo, ou subverter a informação e, dessa forma, não se abrem para o novo, reforçando ainda mais os conflitos, doenças etc.)

Desmistificar  é essencial para que cada vez mais pessoas possam beneficiar da Terapia Regressiva. De todas as questões que esta terapia suscita, talvez estas sejam as três mais frequentes:
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1) Regredir é viajar no tempo e lá saber quem foi em vidas passadas e, ao saber disso, descobrir a causa dos seus problemas, e tudo estará resolvido. MITO

– Regredir não é viajar no tempo. É recordar algumas memórias específicas que estão no inconsciente individual ou colectivo e trabalhá-las até o ponto de catarse. Logo, o mais importante não é ver como se estivesse assistindo a um filme, e sim, vivenciar, reviver, sentir a carga emocional causadora do sofrimento, para dissolvê-la. Hans Tendam diz “Não voltamos à experiências passadas e vidas passadas, mas ao passado retido, que carregamos agora.”

2) O profissional vai aplicar a técnica e o paciente ficará inconsciente, enquanto o profissional trabalha. Depois, ele  conta-lhe o que se passou. MITO

– Em momento algum a técnica deixará a pessoa inconsciente, pois, se assim fosse, o profissional nada poderia fazer, já que a interacção é factor crucial no processo. Logo, é um processo consciente, em que a pessoa se encontra num estado expandido de consciência e que permite que o conteúdo inconsciente seja acedido.

3) Esperar que o profissional, como um mágico, aplique a técnica de regressão ou hipnose nas situações em que esta se aplica na TR, sem a pessoa querer ou acreditar no processo terapêutico. MITO

– A técnica só funciona se houver a interacção cliente-profissional. Se a pessoa não se entregar ao seu processo, se não confiar e se estiver constantemente a lutar por um controlo que nunca deixa de ser seu, dificilmente acederá ao conteúdo do seu inconsciente. Na verdade esta técnica tem os melhores resultados com pessoas confiantes, imaginativas e criativas.

Milhares de pessoas foram e são beneficiadas pelo uso da técnica, curando-se a si mesmas de vários padrões. No entanto, a maioria ainda acredita em histórias de relatos focados apenas nos resultados e não na metodologia e nos passos clínicos e científicos para superar os obstáculos, atingir as metas e as dificuldades que levaram àqueles resultados. E assim as pessoas apegam-se apenas aos resultados, formatando na sua forma de pensar apenas a parte que lhes interessa, ou seja, de um milagre, em que o profissional actua como um mágico e curador, uma vez que alguns livros mostram sempre que os resultados foram milagrosamente por acaso.

Resumindo, o que importa nas experiências de TR não é se elas são de vidas passadas, se são criações da mente, ou mesmo da vida atual; o que importa é a melhoria que podem trazer ao cliente.
Na Regressão, ver as imagens não é tão importante quanto o sentimento, que é terapêutico. Portanto, as imagens servem de anzol para desbloquear o conteúdo emocional associado às imagens.
O Cliente estará consciente o tempo todo, lembrando, recordando ou imaginando e relatando ao Profissional, para que este oriente o processo terapêutico na associação das imagens com os sentimentos, associados à causa do conflito ou padrão e, assim, poder trabalhar terapeuticamente no sentido da sua total ressignificação e integração.

Artigo escrito por Cristina Fernandes com base em informação:

EARTH Association for Regression Therapy

ABTR – Associação Brasileira de Terapia Regressiva

 

Autor
Hipnoterapeuta, Terapeuta Transpessoal, formadora e palestrante, formada em Comunicação com pós-graduação em Psicologia Cognitivo-Comportamental, curso de Psicologia Junguiana pelo Núcleo Português de Estudos Junguianos, e formação especifica em áreas tão diversas como: Hipnose e Psicoterapia Breve Ericksoniana, Hipnose Sistémica, Hipnose Condicionativa, Psicologia Positiva, Psicoterapias Cognitivo Comportamentais de 3ª Geração – Mindfulness, Acceptance and Commitment Therapy, Compassion Focused Therapy; Terapia Gestalt; Terapia Regressiva; TVP (Terapia Vidas Passadas); TVEV (Terapia Vidas entre Vidas); Coaching; PNL; Enurese nocturna infantil; Hipnoparto; Psicoterapia Breve aplicada a doenças Psicossomáticas; Controlo de adições; Ansiedade e Depressão; Meditações Activas de Osho; Respiração Holotrópica; Bio-Energética; Cuidados Paliativos e geriatria; Socorrista nível III; Cura Multidimensional Quântica; Florais de Bach e de Saint Germain, entre outros. Recebeu formação directa de algumas das autoridades mundiais em Psicoterapia e Hipnoterapia Ericksoniana, nomeadamente: Teresa Robles Uribe - investigadora e autora mexicana, antropóloga e psicoterapeuta ericksoniana; Jeffrey Zeig - presidente da Milton Erickson Foundation; Eric Greenleaf - psicoterapeuta e aluno directo de M.H.Erickson; Betty Alice Erickson – psicoterapeuta e filha de Milton Erickson; Bernhard Trenkle - Director do Milton Erickson Institute Rottweil Alemanha; Claudia Weinspach – Psicoterapeuta e conselheira durante 17 anos no centro de apoio a vítimas de abusos sexuais em Muenster; Trisha Caetano, Psicoterapeuta, especializada em Client-Centered Therapy com Carl Rogers, Gestalt Therapy, Regression Therapy e Psychosynthesis. Actualmente facilita Workshops de Desenvolvimento Pessoal e de Auto-Hipnose, a par da prática terapêutica constante em Lisboa e vários outros pontos do país.

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