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Memórias transgeracionais, memórias genéticas ou de vidas passadas… e hipnose
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Memórias transgeracionais, memórias genéticas ou de vidas passadas… e hipnose

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Quantas das memórias dos nossos antepassados carregaremos nós nesta vida?

Não é algo que seja habitual perguntarmo-nos, mas na verdade carregamos muita informação no nosso ADN, da qual não temos consciência.  A não ser na forma de alguns reflexos condicionados, de algumas escolhas, preferências ou aversões – que muitas vezes assumimos como traços de personalidade, talvez inatos ou talvez herdados.

Mas, e se uma dessas experiências herdada nos estiver a condicionar de tal forma que nos limita na nossa vida diária?
Limitar-nos-á tanto mais quanto nós a pensarmos como um traço de personalidade, inato e de difícil ou impossível mudança.

Assim, será importante relembrar duas premissas:
– a 1ª, a plasticidade cerebral – ou seja, o nosso cérebro é plástico, maleável, moldável. Podendo serem trabalhadas, aprendidas novas preferências ou gostos.

– a 2ª, a tomada de consciência de eventos – associados aos condicionamentos adquiridos – ajuda a criar uma distância emocional em relação a essas “aprendizagens”.
Poderemos dizer, de outra forma, que estes condicionamentos nos aprisionam mais quando não temos consciência deles.

Neste sentido, algumas experiências e estudos mostram que um evento traumático pode afectar o ADN no esperma e alterar o cérebro e comportamento das gerações posteriores.

Um desses estudos, publicado na revista Nature Neuroscience e conduzido pelos investigadores Brian Dias e Kerry Ressler, mostra que ratos treinados para evitar um cheiro passaram a sua aversão aos seus “netos”.
Os animais foram condicionados para temer um cheiro semelhante à flor de cerejeira. E verificou-se que uma secção do ADN – responsável pela sensibilidade ao cheiro da flor de cerejeira – se tornou mais activa no esperma desses ratos.

Posteriormente, descendentes desses ratos mostraram-se “extremamente sensíveis” à flor de cerejeira e evitavam o cheiro, apesar de nunca o terem experimentado nas suas vidas. Tendo sido ainda observadas – no mesmo grupo de ratos descendentes – mudanças na sua estrutura cerebral.
“As experiências de um pai, mesmo antes de conceber, influenciaram significativamente tanto a estrutura como a função do sistema nervoso das gerações posteriores”, concluiu esse mesmo estudo.

Os resultados fornecem evidências de uma “herança epigenética transgeracional” – que o ambiente pode afetar a genética de um indivíduo, que por sua vez pode ser repassada para as gerações seguintes.

Um dos investigadores, Dr. Brian Dias, referiu: “Isto parece evidenciar um mecanismo em que descendentes mostram marcas dos seus ancestrais. E não há absolutamente nenhuma dúvida de que o que acontece com o esperma e com o óvulo vai afectar as gerações seguintes.”

Também a propósito deste estudo, foi referido pelo prof. Marcus Pembrey, do University College of London, que os resultados eram “altamente relevantes para a compreensão de algumas fobias, ansiedade e distúrbios de stress pós-traumático” e que o mesmo forneceu “provas convincentes” de que uma forma de memória poderia ser passada entre gerações.

….

O reino animal, aliás, oferece amplos exemplos de capacidades complexas herdadas, que vão além das características físicas.
Por exemplo as borboletas-monarca fazem uma jornada anual de 2.500 milhas, do Canadá até um pequeno pedaço de terra no México, onde passam o verão. Na primavera, elas começam a jornada de volta ao norte, mas o processo leva três gerações para ser concluído. Assim, nenhuma borboleta que faz a viagem de volta já voou a rota inteira antes.
Como é que elas “sabem” o caminho que nunca aprenderam?  Estaremos perante um tipo de GPS interno herdado ou uma memória genética?
Porque a rota nunca é aprendida.

Há muitos outros exemplos do reino animal em que traços muito complexos, comportamentos e habilidades são herdados e inatos. Nos animais,  damos-lhes o nome de instintos, mas não aplicamos o conceito às habilidades complexas e ao conhecimento herdado em seres humanos.

Quando temos consciência destas situações, as valorizamos e as trabalhamos terapeuticamente, podemos ir ganhando um distanciamento em relação ao seu impacto inconsciente.
E sentimo-nos mais libertos para mudanças comportamentais.

Uma abordagem terapêutica, com recurso à hipnose, pode facilitar estes processos de tomada de consciência e de mudança. Ajudando no acesso real ou simbólico a essas memórias.

A memória genética não é um conceito inteiramente novo. Em 1940, A. A. Brill citou o dr. William Carperter, que, ao comparar habilidades de cálculo do prodígio da matemática Zerah Colburn ao domínio de Mozart da composição musical, escreveu o seguinte:
“Em cada um dos seguintes casos, temos um exemplo peculiar de uma habilidade congénita extraordinária para determinada atividade mental, que se mostrou num momento tão precoce ao ponto de se excluir a noção de que poderia ter sido adquirida pela experiência do indivíduo. A esses dons congénitos, damos o nome de intuições: é praticamente inquestionável que, assim como os instintos de outros animais, eles são expressões de tendências constitutivas dos indivíduos que os manifestam”.

Numa abordagem psicoterapêutica, conhecida como psico-genealogia, acredita-se que colocando em evidência um trauma familiar passado, ou um traço de personalidade,  e falar sobre ele, tal procedimento permite fazê-lo sair da sua cripta. E, mesmo que frequentemente não seja suficiente para uma mudança de vida ou de saúde, ajuda e é um primeiro passo para uma melhoria.

Nesta dimensão, a psicoterapeuta Anne Ancelin, durante muitos anos, acompanhou  doentes oncológicos em fase terminal e já tinha recolhido em 1993, antes da publicação de seu livro “Meus antepassados”, um arquivo de quase quatrocentos genossociogramas. Explica ela:  “No decorrer da minha vida de terapeuta, vi famílias que reproduziam doenças, incidentes ou mortes involuntárias.Uma, duas ou até mais gerações sem que entendesse o porquê, como uma marca sobre o corpo ou uma incisão sobre o tempo.”

Atendendo a estas perspectivas sobre as memórias herdadas, a técnica hipnoterapêutica regressiva – devidamente enquadrada – poderá contribuir como uma alavanca terapêutica para a tomada de consciência destas memórias, para a sua restruturação e reforço do livre-arbítrio, e para as necessárias mudanças cognitivas e comportamentais.

É também desta forma trazida uma outra tese que complementa ou, em alguns casos, substitui a visão espiritual das regressões a vidas passadas. Sendo assim, estas vivências trazidas, não são necessariamente um registo akashico ou só uma memória cármica agregada à nossa alma, podendo ser também memórias dos nossos antepassados. Igualmente acedidas com a mesma técnica.

Parafraseando Brian Weiss, MD, num dos seus últimos workshops em Londres, em que conduziu várias regressões com recurso à hipnose: “A imaginação é como uma corda que puxa as memórias antigas”.
Uma vez relembradas, cada uma dessas memórias poderá ser restruturada, e o bem estar emocional poderá ser reposto.

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Referências

“A Nature Neuroscience study shows mice trained to avoid a smell passed their aversion on to their “grandchildren”… ”
http://www.bbc.com/news/health-25156510

Memória genetic  – como sabemos coisas que nunca aprendemos”
http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/memoria_genetica_como_sabemos_coisas_que_nunca_aprendemos.html

“Intergenerational trauma”
http://upliftconnect.com/intergenerational-trauma/

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