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Diálogo entre alguém e alguém
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Diálogo entre alguém e alguém

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– Meu caro, nada é permanente, pelo que a ideia em si do que é a permanência não é permanente, por isso, que importa definir permanência?

– Bom, vivemos num mundo dual, de antagonismos e complementares, limitados por tempo e espaço, logo gostamos de dizer que existem coisas permanentes! Por exemplo: dizemos juro amar-te para sempre, nunca te esquecerei, isso nunca farei e outras afirmações imbuídas de permanência.

– Pois, mas a permanência é apenas uma ideia da mente ego e nós não a controlamos, embora achemos e gostemos de pensar que sim. O que flui em nós e que nos leva a fluir e a ser impermanentes não releva o que a mente ego diz ou pensa.

– Então o que é esse fluir ou o que nos faz fluir?

– O mesmo fluir que faz fluir o universo, nós e ele somos um todo, não existe separação.

– E o que faz fluir o universo?

– O que nunca foi criado, nomeado, identificado ou numerado.

– Hum referes-te a Deus?

– Não, Deus já é nomeação, já é algo criado.

– Então ainda há algo para além de Deus?

– Isso é indecifrável, Deus é apenas a nossa incapacidade de existir sem nomear porque ainda estamos separados da unidade. Um dia estaremos no estado vazio e pleno e Deus não se colocará.

– Ah, então aí será algo permanente, como que o fim de toda a jornada!

– Não, nós achamos sempre que existe um princípio e um fim, mas é apenas um fluir permanente que vive na impermanência porque se renova e se recria sem ser nomeado ou apresentado. Tudo o que vemos são manifestações impermanentes de uma permanência impermanente.

– Parece que voltamos ao princípio?

– Não, na realidade ainda não saímos do mesmo sítio, acontece sempre que falamos sobre permanência impermanente.

– Bom, meu amigo, isto hoje já é suficiente para o caminho de regresso a casa. Sinto-me declaradamente impermanente, sem certezas. Aceito o teu conselho, vou deixar fluir! Não achas que é o melhor?

– Se me pedes um conselho, posso falar-te apenas da minha experiência e ela não é tua, por isso usa-a com impermanência.

– Eu arrisco, que aconselhas?

– Que aceites! Aceites!

– Aceito o quê? Tudo, a minha vida?

– Aceita que és um ser a viver simultaneamente o presente o passado e o futuro, pleno de impermanência e pleno de fluir. Não bloqueies o movimento nem o pulsar, deixa que o fluir oriente a direção.

– Mas e aquilo que não me agrada?

– Aceita!

– É difícil!

– Aceita!

– Ainda não consigo aceitar tudo!

– Aceita!

– Mas aceitar não é resignar-nos a algo que não queremos?

– Aceita o que queres e o que não queres. Ao aceitares que tudo em ti flui, aceitas a mudança e a mudança gera o progresso. O progresso é impermanência. Tu és impermanência e só assim te elevas porque colocas a responsabilidade no fluir.

– Mas ao colocar a responsabilidade no fluir, que faço eu? Não é uma fuga?

– Não é uma sintonia com o grande pulsar que está sintonizado com todos os grandes pulsares. Entrarás no ritmo e no fluir e transcenderás o tempo e o espaço.

A mente não consegue criar a impermanência, por isso aceita com o coração.

– E quando conseguirei aceitar sem esforço?

– Quando perceberes e aceitares a dimensão da tua grandeza, a profundidade da tua natureza. Quando entenderes a tua ligação ao Todo; Ela faz-se independentemente de tu a reconheceres, mas quando a reconheceres, reconheces-te a ti próprio.

– Bem, vou praticar o aceitar. Sugeres algo?

– O aceitar não se pratica, torna-se consciente e só assim aceitamos verdadeiramente.

– Grato amigo, até breve

– Volta sempre, na realidade, estamos sempre juntos. Nunca nos separamos.

 

Aníbal Nogueira – 14/09/2016

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